20/08/2026
A recuperação judicial da Casas Bahia chamou atenção pelo tamanho da dívida: R$ 17,3 bilhões.
Mas o que torna esse caso realmente interessante é olhar para os números que vinham sendo apresentados pouco antes.
A companhia divulgava R$ 7 bilhões em receita líquida, R$ 518 milhões de EBITDA ajustado, R$ 800 milhões em fluxo de caixa livre e alavancagem de 0,5x.
Ainda assim, a estrutura financeira seguia pressionada.
No mesmo período, o resultado financeiro foi negativo em R$ 1,278 bilhão e o prejuízo líquido ajustado chegou a R$ 978 milhões.
A própria empresa apontou fatores como juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o capital de giro e dificuldades de liquidez.
O caso mostra por que analisar uma empresa apenas pelo faturamento, pelo EBITDA ou pelo caixa de um período pode levar a uma leitura incompleta.
Uma operação pode estar melhorando enquanto a estrutura financeira vai ficando mais difícil de sustentar.
É por isso que margem, geração de caixa, capital de giro, endividamento, custo financeiro e compromissos futuros precisam ser analisados em conjunto.
Porque uma crise financeira raramente começa no dia em que falta dinheiro.
Os sinais costumam aparecer muito antes.