25/02/2026
A recente fala do ministro Fernando Haddad, ao afirmar que há “mais contadores do que engenheiros nas empresas”, gerou indignação — e não é para menos.
Essa comparação simplifica uma realidade muito mais profunda.
Se hoje existem muitos contadores nas empresas, isso não é excesso. É consequência direta de um sistema tributário complexo, burocrático e instável. O contador não está na empresa por capricho. Ele está porque o Brasil exige.
Enquanto países desenvolvidos investem energia em inovação, tecnologia e engenharia, no Brasil boa parte da inteligência empresarial é direcionada para interpretar normas, acompanhar mudanças fiscais diárias e evitar autuações.
Não é a contabilidade que ocupa espaço demais.
É a complexidade tributária que consome tempo, recursos e talentos.
A presença do contador não é um problema — é uma defesa.
Defesa contra multas.
Contra insegurança jurídica.
Contra um sistema que muda mais do que permite planejar.
Empresas não contratam contadores por luxo. Contratam por necessidade.
Se queremos mais engenheiros nas empresas, precisamos de menos burocracia.
Precisamos de um ambiente onde empreender seja produzir, inovar e crescer — e não sobreviver à legislação.
Desvalorizar a profissão contábil não resolve o problema estrutural do país.
Reformar o sistema, simplificar regras e dar previsibilidade, sim.
Indignação não é corporativismo.
É a defesa de uma profissão essencial para a sobrevivência das empresas brasileiras.
E enquanto o sistema exigir, estaremos lá — garantindo que o negócio continue de pé.