11/02/2019
Avaliação de Investimentos sob as óticas econômica e socioambiental
O empreendedor ao realizar investimentos de capital toma a decisão cercado de riscos e incertezas. Os riscos são acentuados pela falta de experiência, insuficiência de capital e as barreiras que entravam o sucesso da empresa. As incertezas são decorrentes do mercado e do comportamento da economia no qual estará inserido. As decisões são às vezes intuitivas e subjetivas com a exploração de janelas de oportunidades que surgem na frente de empreendedores e nem sempre são oriundas de pesquisas e planejamentos, levadas pelas necessidades de sobrevivência e pela busca de retornos financeiros para pessoas que depõem de capital disponível que de alguma forma precisam ser alocados em atividades existentes no mercado.
O investimento de capital é atrativo quando a taxe de retorno do capital é superior ao custo financeiro do capital empregado. A avaliação exclusiva na taxa de retorno do projeto exclui a análise de outros parâmetros que podem incorrer em riscos na sua implantação. A análise de um projeto deve abranger os múltiplos objetivos que o norteiam. Segundo Ansoff, o lucro deve ser apenas um dos componentes de avaliação de projetos de investimentos. A Teoria do Investimento do Capital (TIC) utiliza essa metodologia, utilizando o padrão único do lucro e não está equipada para avaliar casos de objetivos múltiplos ou conflito entre objetivos.
Segundo Ansoff, uma vez enumerados os projetos e determinados os fluxos de caixa, avalia-se o projeto tanto em termos de seu retorno líquido para a empresa, como em termos de risco que envolve para os investidores. Três métodos são frequentemente usados para avaliar projetos: o período de retorno (pay back); a taxa interna de retorno (TIR) e valor atual líquido (VPL)
Ao nível conceitual, alguns especialistas em Administração e Economia têm defendido o ponto de vista de que o lucro não é o único objetivo de uma empresa, devendo ser usado um vetor de objetivos, do qual o lucro não passa de apenas um de seus componentes Esse vetor é normalmente composto por objetivos mutuamente conflitantes quando o desempenho da empresa atinge um nível ótimo em termos de um objetivo, ele é prejudicado em outros. A Teoria do Investimento de Capital (TIC) utiliza o padrão único do lucro, não está equipada para enfrentar os casos de objetivos múltiplos ou mesmo o mesmo problema de conflito entre objetivos.
Ao nível prático, mesmo que diz respeito ao componente lucro do vetor de objetivos, verifica-se que as tentativas de calcular fluxos de caixa para projetos de longa duração são prejudicadas pelo rápido declínio da fidedignidade dos dados de projeções em longo prazo. As limitações dos dados conduzem a fluxos de caixa típicos de uma combinação de produtos e mercados, não necessariamente iguais aos das oportunidades especificamente envolvidas. O que as empresas exigem não é um conjunto de fluxos típicos, mas específicos, refletindo as vantagens concorrenciais peculiares à oportunidade em termos de produtos e mercado, tais como qualidade superior, oportunidade de lançamento de produto, aceitação pelo consumidor e reação dos concorrentes.
Anicésio Siqueira
Consultor Econômico – especialidade em elaboração de projetos de investimentos para captação de financiamentos e incentivos fiscais.
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