02/09/2026
Poucos indicadores misturam tanto celebração e desafio quanto a expectativa de vida. No Brasil, ela chegou a 76,6 anos em 2024, o maior nível já registrado desde o início da série, em 1940, quando esse número era de apenas 45,5 anos. E, para quem chega aos 60, a expectativa hoje é de viver, em média, mais 22,6 anos. Cada conquista dessas é resultado de saúde, ciência e políticas públicas. E cada uma delas mexe com a conta de todo plano de previdência.
A mecânica é simples de entender e dura de financiar: quanto mais tempo as pessoas vivem, mais anos de benefício um plano precisa pagar. Mais anos de pagamento signif**am um passivo maior hoje, no valor presente. Quando uma tábua biométrica é atualizada para refletir que vivemos mais, o passivo cresce de uma vez; não porque algo deu errado, mas porque algo deu certo.
O risco mora justamente no lado bom da notícia. Plano que trabalha com premissas de longevidade desatualizadas está subestimando quanto vai precisar pagar, e o déficit não some por ser ignorado, só aparece mais tarde e maior. É por isso que a revisão periódica das tábuas não é formalidade técnica: é reconhecer, em números, uma vitória coletiva que precisa ser paga.
O trabalho do atuário, no fundo, é financiar uma boa notícia. O que é conquista para a pessoa é risco para o plano e equilibrar os dois é a arte da sustentabilidade previdenciária.
Fonte: IBGE, Tábuas de Mortalidade, 2024