09/07/2026
📈 Cartórios registram recorde de doações de imóveis no Brasil. Mas o que está por trás desse movimento?
O número de escrituras públicas de doação de imóveis atingiu um recorde histórico em 2025. Segundo dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF), já foram realizadas 185.861 escrituras, um crescimento de 59% em relação a 2020, quando foram registradas 116.225.
O principal motivo desse aumento é a expectativa de mudanças na tributação da transmissão de patrimônio com a Reforma Tributária. Atualmente, o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) possui alíquotas definidas por cada Estado, mas a tendência é que elas se tornem obrigatoriamente progressivas, podendo chegar ao teto de 8%.
Além disso, a base de cálculo do imposto também deverá mudar. Em muitos casos, o tributo passará a considerar o valor de mercado do imóvel, e não mais o valor venal ou contábil, o que pode representar um aumento signif**ativo na carga tributária.
Especialistas afirmam que muitas famílias têm antecipado o planejamento sucessório por meio de doações em vida, buscando aproveitar as regras atuais antes que as novas normas entrem em vigor. Outro fator que impulsiona esse movimento é a simplif**ação dos processos sucessórios e a possibilidade de organizar o patrimônio de forma mais eficiente.
O crescimento das doações também refletiu na arrecadação dos Estados. Em São Paulo, por exemplo, a receita com o ITCMD passou de R$ 6,1 bilhões em 2020 para R$ 10,6 bilhões em 2025, um aumento de aproximadamente 73%.
Apesar desse cenário, especialistas alertam que a decisão de antecipar uma doação não deve ser motivada apenas pelo imposto. Cada família possui uma realidade patrimonial diferente, e fatores como governança familiar, planejamento sucessório, estrutura societária e objetivos de longo prazo precisam ser analisados antes de qualquer decisão.
Mais do que antecipar uma doação, o importante é construir um planejamento patrimonial completo, alinhado às necessidades da família e preparado para as mudanças que estão por vir.