07/01/2025
O QUE É UM CHESTER?
Eu sei que o Natal já passou, mas como o ano ainda não começou (no Brasil, só começa depois do carnaval), quero aproveitar que você ainda tem na memória os sabores e cheiros das comidas gostosas que se empanturrou na ceia natalina pra esclarecer essa questão do Chester. Eu tenho certeza que tem muita gente que encheu a pança com a carne desse bicho e nem sabe o que comeu. Quer dizer, saber, sabe… só não ligou o nome à pessoa, ou melhor, ao animal.
Como eu sou adepto da filosofia de que conhecimento não ocupa espaço e gosto de saber o que coloco na boca, fui pesquisar e vou te contar o que descobri: o Chester não passa de um frango! Ele é grande, meio desengonçado, mas é só um frango. E quando eu digo grande, pode acreditar. Enquanto o cocó comum pesa cerca de 2,5 Kg, ele pesa uns 4 Kg. Quase o peso de um peru (4,3 kg). Um frangão!
Mas como ele chega nesse tamanho todo? Anabolizante? Academia? Então… Surgiram várias teorias sobre isso. Por questões de mercado, a Perdigão escondia o jogo. Aquele esquema de que o segredo é a alma do negócio, saca? Só que, sem informações oficiais, começaram as especulações. Diziam que era um animal transgênico, que era criado em tubos de ensaio gigantes, um cruzamento de peru com pato, ornitorrinco...
Na real, o que ocorreu foi o seguinte: em 1979, a Perdigão enviou dois sujeitos aos EUA com o objetivo de encontrar um produto pra concorrer com o peru da Sadia. Na busca de uma ave especial, foram feitos vários cruzamentos entre frangos com características específicas até se chegar a uma linhagem maior, com mais peito – a parte com mais carne do galináceo. É o tal do melhoramento genético.
Trouxeram a ave pro Brasil e começaram a criação lá em Goiás. Porém, contudo, entretanto, todavia, foi somente depois da fusão entre as concorrentes Sadia e Perdigão, através da Brasil Foods/BRF, que as informações foram divulgadas. E demoraram 40 anos pra mostrar uma foto do frango maromba! Por isso que muitos achavam que era um bicho sem cabeça. É sério!
Agora uma informação que vai mudar a sua vida pra sempre: quando você come o Chester, está traçando o frango macho – porque é maior e rende mais. No caso do peru, é o contrário. A fêmea é que vai pra mesa. Eu não disse que era importante!? Tá certo que na hora da fome ninguém quer saber disso…
E esse nome Chester? Veio de onde? Se você faltou as aulinhas de inglês, eu te ajudo: chest significa peito em inglês. Captou?
E o Fiesta, o Supreme e a Ave Maravilha? Tudo chicken! Cada empresa como o seu: o Fiesta é da Seara; o Supreme, da Sadia e a Ave Maravilha, da Aurora. Todos deliciosos! Quem sabe depois dessa propaganda eu não ganho um patrocínio…
E como se cozinha esses bichos? Aí você já tá querendo saber demais…
Ronaldo Capra é autor do livro História Divertida
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