30/12/2020
A ORIGEM DO CHEQUE ESPECIAL - PORQUE É TÃO CARO E COMO PROCURAR SAIR DELE
O cheque especial é uma modalidade de empréstimo que tem uma origem um tanto curiosa: no Brasil, quando o cartão de débito não existia e transferências eram todas feitas por documentos compensáveis, o cheque era o meio de pagamento por excelência, pois podia movimentar grandes somas em dinheiro sem a necessidade de papel moeda físico.
Como nem todas as pessoas e empresas possuem um rígido controle do seu fluxo financeiro, era comum que, com tantos cheques emitidos e prazos diversos de pagamento, algum(ns) do(s) cheque(s) estivesse sem fundos, ou seja, que o emitente do cheque não tivesse saldo para cobrir o débito na data da compensação. Foi aí que os bancos inventaram a modalidade do cheque "especial" - os bancos passaram a disponibilizar, a uma taxa de juros maior que a de um empréstimo comum, um limite sobre o saldo da conta, para cobrir cheques que fossem devolvidos por estarem sem fundos e que seriam cobertos pelos clientes dentro de um curto período de tempo (um mês, por exemplo).
Com uma regulamentação de mercado mais rígida pelo Banco Central, em que o cliente emissor de cheques passaria a ser inscrito num cadastro restritivo pela devolução pela segunda vez de um cheque por falta de fundos, cresceu a demanda por essa modalidade de empréstimo e a moda pegou! Logo os bancos descobriram que implantar o limite de cheque especial nas contas de pessoas físicas e empresas era muito lucrativo. Por se tratar de um empréstimo sem garantia, um adiantamento de valor ao correntista sem cobertura nenhuma e por prazo incerto, os juros cobrados na operação eram altos e o uso do cheque especial passou a ser visto como um ótimo negócio para os bancos.
Mesmo com uma queda muito forte no uso de cheques como meio de pagamento, o nome prevaleceu e assim ficou. Hoje, também conhecido como limite sobre saldo ou crédito rotativo, o cheque especial é oferecido ao cliente bancário no ato da abertura de uma conta corrente. Na mão dos desavisados isso é um perigo, pois o valor apresentado nos comprovantes de saldo e extrato pode confundir quem os consulta.